domingo, 7 de maio de 2017

ROTEIRO SOBRE PAISAGEM

https://www.scribd.com/document/347582035/Roteiro-Sobre-Paisagem


UNIVERSIDADE DO ESTADO DE MINAS GERAIS
FaPP - Faculdade de Políticas Públicas “Tancredo Neves” Curso: PEDAGOGIA Disciplina: Metodologias do Ensino da Geografia e História Unidade III: Letramento Geográfico: categorias centrais
Professora: Luísa Teixeira Andrade Pinho
Aluno(a): Elizérlei Prudêncio de Oliveira

PAISAGEM

MINHA RUA ERA ASSIM...
A minha casa da esquina era uma das mais humildes, pra não dizer a mais velha daquela rua larga e de terra bem vermelha, onde vivi meus melhores anos de “meninice”. Duas esquinas antes, havia um campinho com algumas árvores e dois gols improvisados, havia também uma trilha pra cortar caminho, quando havia circo na cidade, era ali no “campinho” que se instalavam e para nós crianças pobres, não tínhamos nosso campinho por uns dias e nos arriscávamos em entrar escondido pelas lonas laterais dos circos. As casas da rua não tinham muros, algumas como a minha, tinham cercas de arames farpados que serviam pra delimitar o espaço de cada casa e ao mesmo tempo, pendurar as roupas que as mães lavavam; era uma rua alegre porque tinham muitas crianças brincando livremente pela rua, brincavam de queimada, bete, pique esconde, bilocas, futebol e todas essas brincadeiras gostosas da época, uma de nossas maiores alegrias era nos pendurarmos nos vãos do “caminhão de água”, quando vinha molhar a rua pra diminuir um pouco da poeira e trazer alivio para as donas de casa.



(Fotos meramente ilustrativas)
Não havia também calçadas e observando aquela extensão da rua, sempre me perguntava porque aquela minha rua era tão larga, o “caminhão de água” para molhá-la toda, precisava ir e vir, e a rua apesar de larga, as casas só alcançavam cinco esquinas, as outras não existiam como hoje, eram um emaranhado de árvores, cipós...me lembro bem, parecia uma mata fechada...Ao longo do tempo, descobri que a rua se tratava de uma avenida e a mudança começou de maneira tão interessante: aos poucos postes de iluminação publica foram sendo substituídos, a rua foi nivelada, estava chegando o asfalto naquela avenida, assim como ruas acima que cortavam aquela avenida, foi uma movimentação sem fim, de maquinários, trabalhadores, moradores, crianças eufóricas e a excitação de testemunhar a mudança da minha rua.

(Imagem meramente ilustrativa)

O campinho foi desfeito e no lugar dele, começaram a construir o terminal rodoviário...



...Nossa rua/avenida assim como nós ao longo do tempo passou por inúmeras transformações, já não tem mais aquela alegria e simplicidade de antes, as crianças já não correm mais na rua larga e de terra vermelha, apenas os carros velozes e frios no calçamento preto e hostil.
Ao longo do tempo as casas foram sendo melhoradas, muradas, árvores arrancadas, calçadas, novas ruas foram abertas e assim caminhamos para o progresso, minha casa ali naquela avenida já não existe mais, em seu lugar construíram uma nova casa e um comércio, o espaço e a lembrança de como era minha rua só ficou aqui no meu pensamento, sem fotos, em minhas memórias da infância humilde mas feliz, do tempo em que minha rua era assim... em Planura das Minas Gerais, às margens do Rio Grande.